Pular para o conteúdo principal

A história de Pedro e Joaquim - mamãe Flavia

A história de Pedro e Joaquim

Meu nome é Flávia, tenho 35 anos e sou mãe do Pedro, três anos e cinco meses e do Joaquim, um ano e cinco meses. Moramos em Campos, norte do Rio de Janeiro, e travamos uma verdadeira batalha contra as alergias múltiplas e severas que ambos tem.  Olhem as fotos, os dois são lindos! (rs) e muito felizes. Nós, eu e meu marido, lutamos pra que eles tenham uma vida normal, como as dos outros meninos da idade deles. Deixamos as vezes de ir a festinhas porque é muito difícil controlar os dois, principalmente Pedro, que já está grande e até os dois anos comeu praticamente de tudo. Joaquim começou com as papinhas de legumes aos seis meses e em 15 dias tudo foi suspenço e o leite voltou a ser exclusivo. Dos especiais, primeiro tomou Pregomim e aos 11 meses começou com o Neocate.
Vamos começar a história do começou. Quando Pedro nasceu, gordinho e grande, tudo parecia perfeito, até que na primeira consulta com pediatra ele tinha emagrecido mais que o esperado para os primeiros dias. Ficamos tentando reverter a situação, dando muito mamá a ele. Mas na maternidade ele tomou um maldito copinho de 50 ml de Nan e não precisava, eu tinha leite, mas trouxeram para que ele tomasse até que meu leite descesse e eu que nem pensava em alergia alimentar dei.
Depois de 15 dias dando o meu leite a hora que ele queria, ele ainda não tinha engordado como deveria e o médico me disse que daria um remédio a ele, porque podia ser que o metabolismo dele estivesse preguiçoso. Não quisemos dar remédio e o levamos a pediatra da sobrinha do meu marido. Ela disse que ele não estava engordando porque o meu leite não era suficiente e que era pra eu dar na mamadeira o leite que tirava pro banco de leite. Ah, nessa época também ele ficava até três dias sem fazer cocô. Ela disse que era porque faltava leite. Estimulou na consulta e ele fez uma cocozada. Dei meu leite na mamadeira e ele engordou, até que fiquei muito estressada com as coisas que ela me dizia, que não tinha leite o suficiente e fiquei sem leite no dia que ele completou um mês e 22 dias. A médica me mandou dar Nan até que o leite descesse. O leite voltou, mas continuei dando de uma a três mamadeiras de Nan por dia ele foi engordando um quilo por mês, até que completou um ano e começou a tomar Ninho 1+.
Aí , os problemas começaram a agravar. Antes de um ano ele teve uma bronquiolite e uma pneumonia. Depois de um ano, foram nove meses de muita tosse, vômitos em jato, pneumonias, laringites, sinusites e urticária. Até que a alergista indicada pela pediatra pediu exame de sangue para alergia a leite e a soja. Pronto, ele não podia mais tomar leite e nem soja. Ela passou Pregomin. Ficamos preocupadíssimos, não sabíamos nada de alergia alimentar. Por sugestão da minha  cunhada que tinha vizinhos pequenos alérgicos que tomavam leite de arroz tentamos com a nutricionista saber se ele podia substituir o Pregomin que era caríssimo ele não aceitava, pelo leite de arroz. Ela disse que sim e fez uma dieta pra ele. Continuamos a dar tudo, menos leite, soja e seus derivados. Ele teve uma pequena melhora, mas logo voltou a ficar muito doente.
Nessa época estava grávida do Joaquim. A nutricionista e a alergista disseram que deveria parar de tomar leite aos sete meses de gravidez para evitar problemas para o Joaquim. Fiz a dieta até parar de amamentar aos cinco meses.  Joaquim nasceu ainda maior e mais pesado que Pedro, não tomou Nan na maternidade, mamou na primeira hora de nascido, mas meu cunhado que tinha filha com refluxo achou que ele estivesse querendo golfar logo após as primeiras mamadas. Viemos para casa e o estresse continuava. Ele chorava, jogava a cabecinha pra trás e arotava alto como se tivesse comido um boi. Também não engordava e a pediatra receitou o mesmo Nan que tinha receitado ao irmão. Os choros continuavam, as golfadas e arrotos pioravam, até que começou a tomar Motilium e Label, mas sem nenhuma melhora aparente. Fomos pra gastro. Ela trocou o Nan por Isomil. Nos primeiros dias mamava melhor. Ela pediu cintilografia que acusou refluxo. E o festival de visitas a emergência com os dois só aumentava. Toda semana tinhmos uma receita diferente. Joaquim não mamava mais direito em mim. Pedro comia e vomitava. Começava a domir e tossia até vomitar.
Numa dessas visitas a emergencia uma médica disse que eles tinha alergia alimentar e que deveriamos dar apenas Pregomin e água ao dois e levá-los a um antigo professor dela, especialista em alergia alimentar. Isso foi na última semana do ano, logo após o Natal, quando Pedro piorou muito e tinhamos um pedido de Phmetria pra fazer, mas estávamos muito inseguros. Levamos os dois ao tal especialista indicado. Professor Aderbal Sabrá, nos atendeu no Rio numa consulta de emergencia. Ele voltou o Joaquim apenas pro leite e Pedro apesar dos dois anos e meio tinha que passar um mês apenas mamando. De cara ele testou Nan HA (hipoalergênico) que não deu certo com nenhum dos dois. Passamos ao Pregomin, o leite de arroz não tinha os nutrientes que ele precisava. Pedro melhorou logo. Fizemos teste cutâneo de alergia e a surpresa. Alergia a soja e ao leite e a mais muitas coisas: ovo, chuchu, tomate, trigo, cebola, carne de boi, de porco, batata, feijão, abacate, milho... Fizemos vários exames de sangue também, que confirmaram as alergias e revelaram um IGE de 2.150  e um risco iminente de choque anafilático.
Mudança total de vida. Muita dificuldade no início mas aos 11 meses de tratamento Pedro havia engordado três quilos e crescido sete centímetros. Não tivemos mais  vômitos, tosses, bronquites e os outros ites, até que trocaram a fórmula do Pregomin e ele teve urticária, tosse, coceira e pneumonia. Agora toma Neocate como o irmão.
Joaquim teve muita dificuldade para crescer e engordar, estourou o tímpano duas vezes tomando Pregomin e aos 11 meses tinha apenas o dobro do peso ao nascer e uma sucessão de febres, inflamações, antibióticos. Em abril de 2010 o médico pediu exame de imunidade e vimos que ele tinha baixa imunidade. Depois de um aninho, teste cutâneo e o começo das comidinhas. Cada uma a cada três dias e muitas reações. Não pode cenoura, abóbora vermelha, abobrinha, chuchu. Mucilon de arroz também não pode. Novo pedido para que parasse de fazer testes para que ele não ficasse mais doente e desde setembro ele come apenas milho e derivados, mandioca e derivados, arroz, maça e goiaba. O resto que tentei deu reação. Fizemos novos exames no inicio de novembro de 2010. IGE de Pedro, 1780, ainda altíssimo e de Joaquim 45, o médico disse que pra ele é alto. Pedido de novo exame e teste cutâneo e até lá nada de novidades gastronomicas.
Temos um prognóstico de melhora que nos amina a continuar na nossa luta e também não temos outra alternativa. É dizendo todos os dias que por enquanto não pode isso ou aquilo que vamos levando a vida e esperando que o tempo melhore a vida desses meninos. No feriado de 15 de novembro do ano passado artes os levaram  a febre. Pedro teve febre durante um dia, mas melhorou. Joaquim, comeu pipoca pela primeira vez e escondido, e ainda por cima com óleo de soja e manteiga. Trêsdias de febre, muita secreção, muita coriza, muita tosse.
Em dezembro de 2010 os dois começaram a tomar ciproeptadine, um antialérgico, e viveram um verdadeiro up em suas vidas, engordaram e cresceram. São dois meninões fortes e comilões. De janeiro a março deste ano tentamos vários alimentos novos, mas muita coisa deu errado. Eles reagiram ao arroz e o Joaquim ao milho que vinha comendo muito bem. Agora Joaquim come aipim, coelho, ra e brócolis de comidinha de sal, mas no mes passado estava com 13 quilos, aos 1 ano e nove meses e Pedro com 3 anos e 9 meses estava com 17kg, bem recuperadinho da pneumonia que o deixou caidinho em setembro passado.
Nos últimos meses descobrimos o pão de queijo sem queijo e perdemos os biscoitos de arroz, mas eles continuam felizes. Voltaremos ao professor Sabrá em 10 de junho, se tudo correr como está hoje. Estamos vivendo época de testes, de dores de barriga, bumbuns assados, corpos empolados, as vezes soluçose raramente vômitos.
Mas tenho certeza de que isso tudo vai passar e um dia será só uma lembrança de épocas de lutas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pesquisa para pais e mães - pode me ajudar só um pouquinho?

Queria muito ajudar pais e mães, e te convido a responder a essa pequena pesquisa para que eu possa começar já! Lado a lado, juntos e unidos! Clique no link e responda uma pergunta rápida! É muito importante para mim! Quero ajudar e responder a pesquisa bem rapidinho! Um abraço bem forte! Luciana Carlos

Poesia

Uma rosa, o vento, as pétalas ao chão. Um riso, um choro, em grande sentimento. Um sentimento marcante de que nada será mais o que já foi. De que tudo será para sempre apenas uma lembrança vaga... De um infinito momento. Em momento curto e longo, Vazio e marcante, Em que me peguei a pensar... E descobri que tudo foi uma ilusão... Luciana Carlos

Mamãe Bullying

Mamãe bullying Minha nossa! Tive que olhar no Google para ver como se escreve bullying! Kkk Essa palavra tão presente na sociedade de hoje, para mim nada mais é do que a encarnação da minha época! Vamos lá gente! Importamos esse conceito para o Brasil, quando aqui o bullying nada mais era do que os apelidos de colégio. E acabou que incorporamos mesmo, com a palavra veio o comportamento agressivo agregado que não era nada comum no Brasil. Na década de 80, fazer bullying era chamar de Choquito, gaguinho, cabeção, vara pau, esqueleto, He-Man, espeto, Mônica (para as dentuças), e muitos outros que agora não vem a memória. Mas não estou aqui para fazer apologia, nem levantar discussões. Estou aqui para homenagear as mães, que como eu, levam a educação a sério, mas se divertem tanto, que acabam, sem querer, fazendo bullying com os filhos e ainda assim todo mundo ri do assunto. Olha o que aconteceu comigo : Meu filho mais velho, o Lucas, tem uma leve gagueira, que não o incomoda...